quarta-feira, 25 de maio de 2011

Música de mercado


''Esses dois rapazes na minha opinião são um dos melhores artistas brasileiros, então o Caetano 100% o Gil ainda acho ele um tiquinho mais a frente.(...) Eles puseram essa juventude de agora para conhecer Jackson do Pandeiro. Deram um sumiço em Jackson do Pandeiro (...) a Jackson do pandeiro só não deram um sumiço a toda a música brasileira. ''(Fala de Jackson do Pandeiro em um programa gravado em 1972 - MPB especial.)
Partindo das palavras de Jackson Caetano Veloso, Gilberto Gil, e outros nesse caminho, eram as vozes que saiam docemente das vitrolas e afins na época. Opiniões eram formadas por músicas cantadas por eles, ainda se existia a emoção e o sentido em se escutar música. É tão tal que em 1968-69 Gilberto e Caetano foram exilados do Brasil, pelo regime militar, por realizarem ‘’ atividades subversivas’’. Voltaram ao Brasil em meados de 1972.
Bem o passado não é bem o ponto, mas o presente e as náuseas que ele me trás quando se trata de música ou, da música que as grandes massas escutam. A música é formadora de opiniões. A maior prova de que certos valores hoje estão perdidos entre os jovens, são as músicas que os mesmos escutam. São músicas que extinguem o respeito em qualquer nível.
A música deixou de ser música pela música e passou a ser música pelo dinheiro. Hoje a produção musical para as ‘’grandes massas’’ (que inclui os jovens) deixou de ser para valorizar a música, em qualquer gênero que ela se apresente, e passou a ter os dois olhos voltados ao lucro. A criação de novos ritmos que se dizem ‘’derivados’’ dos já existentes como o forró ajuda no empobrecimento da cultura de raiz. Teoria também afirmada por Biliu de Campina:
"a música nordestina está ficando poluída pela variedade de ritmos que estão misturando a ela, num trabalho de descaracterização da música genuinamente nossa que é o coco, o xaxado, o baião, o xote, entre outros, sendo o coco o pai de todos os ritmos.’’
(em entrevista ao jornalista Orlando Ângelo em A União de 27/28 de maio de 1989)
Falo do nordeste especificamente, mas isso ocorre em todo o Brasil como já acontecia em 1972 quando Jackson fez seu agradecimento a Caetano e Gil na gravação do programa. Se em 1972 isso já ocorria imagine a escala que isso já tomou atualmente? Apesar dos apesares a boa música ainda não foi posta em um asilo e esquecida até a morte, até porque não morrerá. Felizmente ainda existem os defensores, propagadores e compositores da boa música. Tais como Beto Brito, Biliu de Campina, Pinto do Acordeom, Zabé da loca e outros que, em sua maioria fazendo trabalhos independentes, não se renderam ao mercado musical do lucro e com muita luta dão continuidade o legado de que música é uma manifestação cultural e não uma prostituição ritmada.
(Bertrand Alves)

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