sexta-feira, 27 de maio de 2011

Culpa de plástico

A confusão que me cerca
Não é frescura de besta
Nem uma deixa de poeta.
É veneno impregnado em ponta de flecha.

A confusão que me cerca
É solução dos meus problemas
Resposta exposta viva;
O caminhar para um novo ponto de partida.

A confusão que me cerca
Abraça o meu destino
Traça todos os meus caminhos
Se embirra feito menino que não sabe do que necessita.

A confusão que me cerca
É metanoia constante
Seu desfazer me custará cada instante
Que eu não sei mais se quero.

A minha confusão:
Menino de arco e flecha na mão
Tomado de medo, prestes a atirar os espinhos
Que já machucaram seu coração.
(Bertrand Alves)

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Música de mercado

''Esses dois rapazes na minha opinião são um dos melhores artistas brasileiros, então o Caetano 100% o Gil ainda acho ele um tiquinho mais a frente.(...) Eles puseram essa juventude de agora para conhecer Jackson do Pandeiro. Deram um sumiço em Jackson do Pandeiro (...) a Jackson do pandeiro só não deram um sumiço a toda a música brasileira. ''(Fala de Jackson do Pandeiro em um programa gravado em 1972 - MPB especial.)
Partindo das palavras de Jackson Caetano Veloso, Gilberto Gil, e outros nesse caminho, eram as vozes que saiam docemente das vitrolas e afins na época. Opiniões eram formadas por músicas cantadas por eles, ainda se existia a emoção e o sentido em se escutar música. É tão tal que em 1968-69 Gilberto e Caetano foram exilados do Brasil, pelo regime militar, por realizarem ‘’ atividades subversivas’’. Voltaram ao Brasil em meados de 1972.
Bem o passado não é bem o ponto, mas o presente e as náuseas que ele me trás quando se trata de música ou, da música que as grandes massas escutam. A música é formadora de opiniões. A maior prova de que certos valores hoje estão perdidos entre os jovens, são as músicas que os mesmos escutam. São músicas que extinguem o respeito em qualquer nível.
A música deixou de ser música pela música e passou a ser música pelo dinheiro. Hoje a produção musical para as ‘’grandes massas’’ (que inclui os jovens) deixou de ser para valorizar a música, em qualquer gênero que ela se apresente, e passou a ter os dois olhos voltados ao lucro. A criação de novos ritmos que se dizem ‘’derivados’’ dos já existentes como o forró ajuda no empobrecimento da cultura de raiz. Teoria também afirmada por Biliu de Campina:
"a música nordestina está ficando poluída pela variedade de ritmos que estão misturando a ela, num trabalho de descaracterização da música genuinamente nossa que é o coco, o xaxado, o baião, o xote, entre outros, sendo o coco o pai de todos os ritmos.’’
(em entrevista ao jornalista Orlando Ângelo em A União de 27/28 de maio de 1989)
Falo do nordeste especificamente, mas isso ocorre em todo o Brasil como já acontecia em 1972 quando Jackson fez seu agradecimento a Caetano e Gil na gravação do programa. Se em 1972 isso já ocorria imagine a escala que isso já tomou atualmente? Apesar dos apesares a boa música ainda não foi posta em um asilo e esquecida até a morte, até porque não morrerá. Felizmente ainda existem os defensores, propagadores e compositores da boa música. Tais como Beto Brito, Biliu de Campina, Pinto do Acordeom, Zabé da loca e outros que, em sua maioria fazendo trabalhos independentes, não se renderam ao mercado musical do lucro e com muita luta dão continuidade o legado de que música é uma manifestação cultural e não uma prostituição ritmada.
(Bertrand Alves)

Décima de Biliu

Versajar é minha sina
No mundo transcendental
Passo do ponto final
Fazendo o que me fascina
Vou pelo mapa da mina
Navegando em barco a vela
Sem ter medo da procela
Numa letal disparada
A morte está enganada
Eu vou viver depois dela.
(Biliu de Campina)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Frase calada

A gente se olhou e o momento confirmou
que o impossível vez em quando acontece.
Cabeça dominou o pulmão suspirou
aqueles sinais típicos da paixão.

Chegou aos poucos e disse que era meu
Na frase calada só o subjetivo que vai

Foi bom eu sei, ta muito bom assim.
Melhor agora, nenhum sentimento ruim.

O que se é nem sempre é o que se vê
Depende da forma que me apresento a você
A relativa filosofia da paixão

Chegou aos poucos e disse que era meu
Na frase calada só o subjetivo que vai

Foi bom eu sei, ta muito bom assim.
Melhor pra você ou melhor pra mim?

Foi bom eu sei nenhum sentimento ruim
Melhor agora ta muito bom assim
Melhor agora vendo o que se é
Melhor pra nós nenhum sentimento ruim.
(Letra e melodia: Bertrand Alves)

sábado, 21 de maio de 2011

Nêga.

Preta tu és linda.
Sorriso de menina, cabeça de mulher.
Postura de quem sabe o que sente
Sabedoria de quem sabe o que quer.

Nêga irmã minha
Tu tens o dom da alegria, recompensa divina.
Que afasta qualquer tipo de tristeza que lá já vinha.

Olhos castanhos calma.
Que a qualquer inquieto acalma.
Se alegra eternamente quem o vê
E por gratidão te ama sem saber o porque.

Sentindo teu transparente coração
Me cabe a ti guria, toda a minha admiração.
À menina que sabe viver,
Incessante na busca da imaginação.
(Bertrand Alves)